Entrevista a ANOIK

Houddy! O nome dele é Rui Torres, tem 25 anos e diz-se natural de Saturno, embora viva em Barcelos, no Norte de Portugal. Porquê Barcelos? Falcatruas acontecem a todos. E o Rui foi vítima de uma “marOscada de verão” engendrada pelo seu antigo agente e pelo Gil Vicente FC, que anunciou a sua transferência para o futebol português. Porém, aquando da sua chegada, abortaram tudo e deixaram-no na cidade do galo a “penar”.

Dramas à parte, este rapaz gosta de trabalhar em ilustração com o pseudónimo de Anoik. Já trabalhou a Ilustração com bandas como Alto!, Killimanjaro e New Kind Of Mambo. Já ilustrou também para Black Bombaim, Aspen, Norberto Lobo, Health e José Cid. Ou foi para o GG Allin?

Como bom minhoto, tem ligações a França, no caso através da net label Cascade Records, com a qual trabalhou e que lhe mostrou muita música nova e bem fixe, diz ele (parece que Le quartier INDIEn não chega -.-)!

Para além de tudo isto, trabalha como Designer Gráfico com o cineclube ZOOM (que também lhe apresentou muita música, muita portuguesa) e é Director de Arte da galeria|bar Avesso.

Introdução e “shaking hands” feitos, passemos à entrevista!


LqI: Há quanto te dedicas a tempo inteiro às artes gráficas? Com que idade decidiste que era isso que querias fazer?

Rui: Eu sempre gostei de desenhar… De desenhar coisas sem aparente sentido. Contudo foi depois de uma formação em Arte no secundário e depois de descobrir a ilustração durante a minha licenciatura em Design Gráfico (muito devido às “obliterantes” aulas da professora Marta Madureira) que percebi que podia fazer uma vida nesta área e que tinha algumas competências para poder ilustrar. Mas só comecei a trabalhar a ilustração, numa vertente mais profissional, no fim da minha licenciatura.

LqI: O teus cartazes, em particular aqueles para concertos, são demais. Até que ponto a música influencia o teu trabalho ou serve como referência?

Rui: A música influencia tudo no meu trabalho. Quando faço um cartaz tenho “a” ou “as” bandas que ilustro a rodar. Procuro referências gráficas nos seus álbuns ou EP’s, entrevistas em que falem das suas referências musicais e vou ouvir. É também desse modo que encontro novas bandas e novas músicas. Amo misturar música com ilustração!!!

LqI: Recentemente fizeste a nova imagem para o Le quartier INDIEn. Qual foi o ponto de partida para criares esta nova imagem?

Rui: Quando me lançaram o desafio de criar a nova identidade do LqI, fiquei entusiasmado, já que estava calibrado para fazer umas imagens todas elaboradas, com alguns padrões e referências à cena indie, deixando bem latente o trabalho manual e DIY. Contudo, ao longo do tempo fui pensando que fazer isso ia ser interessante e ia tornar o LqI apelativo e decorar bem o facebook, site e blog… Mas, passado algum tempo, essa imagem ia perder a sua validade e as pessoas iam-se habituar e até chegar a sentir indiferença. Logo, comecei a imaginar soluções e a pensar uma maneira de ter a identidade do LqI com um dinamismo que a mantivesse sempre em diferente, em constante mudança e sempre com algo novo para mostrar. Daí surgiu ideia de ilustrar uma cara, uma personagem, que se apresenta sempre com pinturas faciais, pinturas estas que são sempre diferentes e novas, com referências muito fortes a várias culturas, tais como a dos índios americanos, hindu até aos aborígenes australianos. Dessa forma o quarteirão indieano terá um certo caracter místico ou misterioso.

LqI: Ouves muita música? Ouves enquanto trabalhas?

Rui: Pergunta-me antes se consigo trabalhar sem ouvir música e eu respondo-te: NÃO! E até te digo mais: consigo gerir o ritmo do meu trabalho consoante a música que ouço. Se, por exemplo, estiver a ouvir isto trabalho muito mais rápido mas disperso muito mais. Se for isto trabalho mais lentamente, mas durante mais tempo seguido. Eu sei que é estranho por isso não contem a ninguém.

LqI: Qual a tua primeira recordação musical? 

Rui: A minha memória musical mais antiga é a de ouvir Beach Boys a caminho da praia, de sacar a cassete de uma caixa toda manhosa que o meu pai tinha por baixo do assento do seu Fiat Punto bordeaux. Tinha eu à volta de 5 anos e na altura fazia todo o sentido ouvir aquele som, aquelas vozes em inglês que eu não percebia nada, a caminho da praia.

LqI: Qual o concerto e álbum que mais te marcaram até hoje?

Rui: Hey tem que ser Rage Against the Machine, no Alive (pena ser tão tarde e num festival todo vendido) mas foi, para além de uma experiência violenta/linda, também um momento único para mim.

LqI: Se pudesses escolher uma banda para criares um cartaz para um concerto, qual seria ela?

Rui: Tchiiii, tantas, mas tantas! Mas já que tenho que escolher, gostava de fazer um cartaz para MSTRKRFT e ilustrava uma gaja cyborge prateada, montada num leão dourado de lingerie cor-de-rosa a mandar lasers pela V e um par de estrelinhas nos mamilos. Ou então para o Bach com o mesmo cartaz.

LqI: Quais as músicas e/ou álbuns que mais te marcaram nos últimos 365 dias?

Rui: Ui, tenho colado em Death Grips! Aquilo deixa-me todo exaltado, com vontade de ilustrar cenas de revolta. Houve uma paixão pela babes dos Sleigh Bells e a confirmação do meu amor pela Chelsea Wolfe. Para além disso também ando de orelha colada em Koreless, SBTRKT, oOoOO, Salem e no IVVVO (muitos foram-me apresentados pelo Douchebag). Andei uns bons meses a ouvir Zed’s Dead e Demented Dimentions (muito à custa do Gray Agent)… Mas, agora agora, ando a voltar ao James Blake e a tentar impingi-lo às pessoas nas tarde do Avesso.

LqI: Que pergunta não te fiz e devia ter feito?

Rui: Acho que devias ter perguntado o seguinte: “mas que confusão que deve ir na tua cabeça… Dizes que ouves Electric Wizard e logo a seguir ‘cortas p’ra trás’ e dizes que ouves IVVVO. Mas tu bates mal ou quê?”.

P.S. Na verdade, a intro à entrevista foi o Rui que a fez. Mas, para dar “aquele” aspecto de seriedade, resolvi passar tudo para a terceira pessoa. Obrigado, Rui! :D